ao ler, esta manhã, a crónica da leonor pinhão (
ver 'caixa de comentários') veio-me imediatamente ao espírito a frase com que titulei esta 'entrada'.
a saída de cristián rodríguez para o 'fc do porto' foi difícil de engolir, para a grande maioria dos adeptos encarnados, mas as
entradas de carlos martins e de jorge ribeiro não estão a ser de digestão nada fácil.
talvez o bombardeiro miccoli para alegrar as hostes...
Eram simplesmente nossos
Por
leonor pinhão
Há 18 anos disputava-se em Itália o Mundial de futebol. A Selecção portuguesa não estava lá. Tinha falhado a qualificação como, aliás, era costume.
Para os portugueses, em geral, o torneio poderia não ter muito interesse.
Para os benfiquistas, em particular, o Mundial de 1990 era superiormente interessante.
Porquê? Por causa dos «nossos» jogadores em acção no grande palco transalpino.
Houve um jogo, ainda na fase de grupos, que nos fez reunir em frente aos televisores, um jogo que sabíamos não poder perder de modo algum.Combinaram-se jantares, concentrações de amigos e familiares, todos da mesma cor.
Porquê? Porque nos dizia respeito. E muito respeito.
Jogado em Turim, o Brasil- -Suécia foi para nós, benfiquistas, o encontro mais emotivo do Mundial de 90.
No relvado do Estádio dos Alpes, transmitido em directo para todo o mundo, o que nos interessava no jogo não era o resultado. Era-nos absolutamente indiferente o vencedor. Fosse ele qual fosse, o importante é que estava em campo mais de meia equipa do Benfica.
Os nossos Mozer, Ricardo Gomes e Valdo eram titulares indiscutíveis do escrete. E, suprema honra, o capitão da selecção brasileira, era o nosso Ricardo Gomes, «o garotinho do braço duro», como lhe chamava a imprensa carioca.
(… porque Ricardo Gomes jogava sempre com o braço esquerdo esticado, raramente o dobrava, vá lá saber-se porquê… uma vez, numa noite gélida na Maia, num jogo com o Boavista, o árbitro José Pratas assinalou uma grande penalidade contra o Benfica porque a bola bateu no «braço duro» de Ricardo. A grande penalidade foi convertida em golo e o Benfica perdeu o jogo. Mas mesmo assim fomos campeões.)
Do lado da Suécia, também tínhamos três nossos. Stefan Schwarz, Jonas Thern e Mats Magnusson.
Feitas as contas: três do Brasil mais três da Suécia… são seis. Uma equipa de futebol é constituída por onze jogadores. Ora, nesse caso, seis (como era o caso) significam mais de meia equipa.
Era esta a realidade no Verão de 1990, ou seja, há 18 anos.
Ah, não pensem, caros leitores, que esta longa introdução vem a propósito do corrente Europeu, do não muito feliz percurso selecção nacional ou do aquilatar (para quê?) das prestações individuais dos jogadores do Benfica em terras helvéticas, os nossos muito estimados Petit e Nuno Gomes.
Nada disso.
A coisa é mais grave.
Indo directamente ao assunto:
Há 18 anos, meia equipa do Benfica (não contando com os portugueses que ficaram em casa) jogava ao mais alto nível, todos eles titulares, na competição das competições: o Mundial de futebol.
E nós, benfiquistas, seguíamos atentos os passos dos «nossos» jogadores de gabarito internacional. Honestamente (penso que falo por todos), estávamo-nos marimbando para quem ganhasse. Brasil ou Suécia, não importava. O que importava era que Mozer, Ricardo Gomes, Valdo, Schwarz, Jonas Thern e Magnusson NÃO SE LESIONASSEM. Por causa da pré- -época.
E não lhes chamávamos «activos». Eram simplesmente nossos.
Presentemente (quer dizer hoje), as coisas não são bem assim.
Ainda que um Europeu não seja um Mundial, a verdade é que não temos lá ninguém. Nem vamos ter.
Deixámo-nos desses luxos a que tão mal nos habituaram.
Ao contrário do Verão de 1990, o Verão de 2008 não será marcado pelos grandes palcos nem pelos grandes emblemas.
Na verdade, não nos iludamos: estamos reduzidos ao Clube Recreativo de Huelva.
Conseguiremos garantir os serviços de Carlos Martins?
E será que conseguiremos desviar Sinama-Pongole do poderoso Atlético de Madrid?
O Real Club Recreativo de Huelva, com sede social na Avenida del Decano del Fútbol Español, em Huelva (naturalmente!), com 10.687 sócios (chamam-lhes «abonados») é o nosso actual El Dorado.
(Isto custa muito para quem nasceu e cresceu noutros tempos.)
Lendo os jornais, parece que Carlos Martins está garantido. Bravo! Ainda que o Sporting detenha 40 por cento do passe do «maestro», a coisa está ganha. Pagaremos, somos gente séria, finalmente!
E pagando ao Sporting pagaremos, por via indirecta, ao FC Porto as despesas que o Sporting iria forçosamente assumir perante a contratação de Hélder Postiga.
Se se tratasse de culinária, diríamos que era uma pescadinha com rabo na boca.
Tratando-se de futebol, diremos que o Recreativo de Huelva, um colosso de Espanha, é um osso duro de roer.
Longe vai o tempo em que os nossos jogadores eram vedetas mundiais.
Agora sofremos com Carlos Martins e Pongolle. Virão? Não virão? Oh, que Verão…
Temos de assumir: não temos pedalada para «El Recre» - é como os andaluzes chamam ao Recreativo de Huelva.
Caros leitores benfiquistas, conhecem Huelva? Conhecem o Estádio Colombino, onde «El Recre» joga?
São eles, os do «El Recre», a «besta negra» do nosso defeso de 2008.
Basta ler os jornais.
TAL como se previa desde que, pela primeira vez, o vimos meter o pé à bola, Rodriguez, o Cebola, assinou pelo FC Porto. É muito jovem, é forte, é talentoso. E não era do Recreativo de Huelva.
Felizmente que estamos em ano de Europeu. Se estivéssemos em ano de Mundial, lá teríamos de ver Rodriguez, que já não é dos nossos, em acção num grande palco, num grande evento.
Comprazem-se alguns benfiquistas com a prova de que Pinto da Costa é dado a mentiras. O presidente do FC Porto foi à televisão garantir que Rodriguez jamais seria jogador do FC Porto.
Enfim, comprazem-se com pouco.
Comprazem-se outros, chamando «traidor» ao Cebola e outros nomes piores ao empresário do Cebola.
Comprazem-se com nada.
isso do micól cheira-me a manobra via jornal oficial para esquecer choros por cebolas.... tipo aquela do sven goran antes do ultimo joguinho do campináte....
e as próprias notícias sobr eo vale para distrair... orelhas não brinca em serviço, amigos...
De
Offshore a 26 de Junho de 2008 às 13:30
"Pagaremos, somos gente séria, finalmente!"
Só quando a FIFA aperta ...
Pobre Rui. Onde te foste enfiar!
Isto também é para distraír...
Entrevista de Platini ao Mundo Deportivo
http://www.elmundodeportivo.es/web/gen/20080626/noticia_53487964542.html
¿Y el Porto?
Como presidente de la UEFA no estoy nada contento con su inclusión en la Champions League. Lo digo así de claro. La UEFA, bajo mi mandato, va a luchar a muerte contra la corrupción. Puede estar sujeto a derecho, pero me parece que ese no es el espíritu. Si un equipo ha sido sancionado por su federación, por la UEFA, por corrupción no puede disputar una competición europea.
De
Paulo a 26 de Junho de 2008 às 15:54
António,
Como benfiquista não posso deixar de elogiar a LP pois ela consegue sempre passar para as palavras o estado de alma dos adeptos do Benfica...
A mim custou-me muito ver o Cebolento ir para o FCP, mas acho que me custa muito mais ver chegar jogadores com o Jorge Ribeiro ou o Carlos Martins.
Não fujo, portanto, à regra.
Deus queira que me engane, mas acho que o Rui, se vier a concretizar a compra destes dois jogadores, vai dar dois enormes tiros no pés...
De
César a 26 de Junho de 2008 às 18:03
São opiniões. Pessoalmente prefiro o Carlos Martins a todos os nomes que tem vindo a público na imprensa. Porque poderá, bem aproveitado, ser um craque Português. Tem características técnicas e físicas para ser um estupendo jogador.
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