
Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
(zeca afonso, 'cantigas de maio')
Neda Agha-Soltan.
Era o seu nome completo. Tinha 26 anos e era a segunda de três filhos de um funcionário público e de uma dona de casa de Teerão. Uma entre milhões de jovens iranianos nascidos depois da Revolução Islâmica de 1979, criados nos subúrbios em rápido crescimento da grande metrópole do Irão.
Estudante de Filosofia Islâmica na Universidade Azad, em Teerão, Neda decidiu que o seu futuro passaria pelo turismo e inscreveu-se num curso para guias turísticos. A escolha da carreira, contam os amigos, era uma cedência à sua paixão pelas viagens, a sua curiosidade pelo mundo longe dos ditames da República Islâmica. Apesar dos modestos recursos, juntou dinheiro para visitar a Tailândia e o Dubai e, há apenas dois meses, a Turquia.
Neda - cujo nome significa "voz" ou "chamamento" em farsi - adorava também música. Era uma cantora dotada (num país onde as mulheres estão proibidas de cantar em público) e tinha aulas de piano. "Era tão cheia de alegria. Era um raio de luz", disse ao correspondente do Los Angeles Times o seu professor de Música, Hamid Panahi.
Era Panahi quem a acompanhava no sábado. É ele quem se ouve nas imagens que correram mundo: "Não tenhas medo, não tenhas medo. Querida Neda, não tenhas medo." Deitada no asfalto, de braços inertes e olhos abertos, a jovem estaria já inconsciente quando o sangue começa a sair-lhe pela boca e pelo nariz apesar dos esforços desesperados de um médico que tentou ajudá-la.
Ignorando os alertas feitos pelas autoridades, Panahi contou aos jornalistas que ficaram presos no trânsito quando se dirigiam, com outros amigos, para a concentração prevista para essa tarde. Os tumultos estavam ainda longe e os dois decidiram sair para apanhar ar e ver o que se estava a passar. Ela estaria ao telemóvel quando soou o tiro: "Sem que ela tenha atirado sequer uma pedra, eles mataram-na." Panahi diz ter ouvido apenas um tiro e recorda as últimas palavras de Neda - "Estou a arder, estou a arder" - mas confessa não saber quem disparou.
não sei o nome do 'tenente' que a matou.
mas sei que morreu de certeza às mãos de um esbirro, no caso iraniano, quando lutava pela sua verdade - o que, infelizmente, continua a acontecer a todas as
catarinas eufémias deste mundo.
Paz à sua alma, e também às de todos os outros, anónimos.
De
Karocha a 24 de Junho de 2009 às 19:35
Ela começou e o resto das mulheres e jovens, vão mudar o Irão!!!!
De
simon a 24 de Junho de 2009 às 19:43
Deixa lá, ó António, não confundas, se a pobre apenas esteve onde a propaganda a levou, ingloriamente. E já nos States um fulano, sim, ganhou duas vezes as eleições, manhosamente, sem manifestação nenhuma, nem tua, à boa maneira bovina & Cia, à Ocidente.
De
Eu meme a 24 de Junho de 2009 às 19:55
SIMON n sejas tao berloque e respeita quem luta pela justiça e verdade. que é o que faz falta neste pais de crimonisos impolutos...
De
simon a 24 de Junho de 2009 às 20:57
Tá, meme, e ora então pensa por ti, um minuto: se um ganhou a 63 vírgula e tais por cento e o outro não foi além do restante relativo, contra o desejo das parangonas do Ocidente, concebes a protestação decente? Porque o povo iraniano, mais não seja, não gosta das guerras que os cruzados tecem à sua volta, prepotentes, do Iraque ao Afeganistão, à Palestina. E deram a sua resposta. O mais é tanga, meu, quando te dizem que o direito assiste aos mais fortes e tu, sem mais, cúmplice, dizes amém e aceitas.
belíssimo post caro AB,
os meus parabéns,
abraço
Nao faltam balas aos tiranos para calar as revoltas....faltar-lhes-a' tempo!
"Ela começou e o resto das mulheres e jovens, vão mudar o Irão!!!!" disse a Karocha e espero que a história o confirme.
Mas que sejam os iranianos a mudá-lo, sem interferências externas, porque o que aconteceu no Iraque foi vergonhoso e com um preço muito maior em vidas humanas...
"Apesar dos modestos recursos, juntou dinheiro para visitar a Tailândia e o Dubai e, há apenas dois meses, a Turquia..." para uma moça que vive no Irão e tem 26 anos, não está mau...o que me leva a pensar que no Irão é capaz de não se viver assim tão mal como isso.
E depois não sabemos bem o que pensar, se é tudo verdade o que nos vendem.
Tornamo-nos desconfiados e arranjamos inimigos de estimação, e com isso não damos por vezes a mão a quem precisa de ajuda porque julgamos que é mais uma tanga...
E ela era tão nova, tão bonita, com toda uma vida pela frente para viver...
Será que o ser humano é racional, ou não passará de mais uma tanga?
De
Karocha a 24 de Junho de 2009 às 22:11
Pode crer zefidalgo
Nós mulheres , maltratadas havemos de virar isto tudo!
De
Valdemar a 24 de Junho de 2009 às 22:15
Simon,
parece que, no meio desses cálculos todos, te escapam 3 milhões de votos a mais que o total da população Iraniana.
Nem o Ahmadinejad nem o (agora)opositor são santos. De facto, são farinha do mesmo saco. Como muitos outros líderes do Médio Oriente, que vêm populações como armas de defesa, ou arma de arremesso político.
Pensa antes tu por ti, em vez de mandares outros pensar.
Falas de cruzados? Curioso que é o movimento das massas oprimidas é no sentido de procurar a liberdade que lhes oferece o Ocidente, e não o oposto.
Curioso é que tu, se estivesses no Irão, não podias comentar aqui o blog do Sr. Boronha, por causa da censura.
Curioso é que não conheço nenhuma prepotência maior do que a de um líder político ou espiritual que diz que há um país que não existe, ou se existe, devia ser pura e simplesmente aniquilado, por acaso, chamado Israel.
Curioso é que as juventudes que se passeiam por aí com as t-shirts do Che, são demasiado preguiçosas para fazerem realmente alguma coisa pelos problemas da sociedade local. Dá mais jeito debitar sentenças pseudo-liberais, pseudo-revolucionárias, anti-liberdade da qual gostam, vivem rodeados e não abdicam de disfrutar.
Que me dizias, se a tua irmã fosse apedrejada até à morte por não se querer cobrir da cabeça aos pés por uma manto negro? Ou por olhar para um homem?
Chamas a isso liberdade?
Vai mas é trabalhar, pá.
Abraço.
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