Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011
merkl & sarkozy, subtítulo: o cemitério da europa
vistas por mim, as duas pessoas que mandam em nós, com a ajuda do olhar bem humorado mas não menos acutilante de umberto eco em 'o cemitério de praga':
[sobre os alemães]
"aos alemães conheci-os, e até trabalhei para eles: o mais baixo nível de humanidade concebível.
um alemão produz, em média, o dobro das fezes de um francês. hiperactividade da função intestinal em prejuízo da cerebral, que demonstra a sua inferioridade fisiológica.
(...)
o alemão vive num estado de perpétuo embaraço intestinal, devido ao excesso de cerveja e daquelas salsichas de porco com que se empanturra.
(...)
consideram-se profundos porque a sua língua é vaga, não tem a clareza da francesa e nunca diz exactamente aquilo que deveria, de modo que nenhum alemão sabe alguma vez aquilo que queria dizer - e confunde esta incerteza com profundidade. (...)"
[no que respeita aos franceses]
"não amam os seus semelhantes, nem sequer quando deles tiram proveito.
(...)
são maus. matam por tédio. é o único povo que manteve os seus cidadãos, durante vários anos, a cortarem a cabeça uns aos outros, e foi uma sorte napoleão ter desviado a sua raiva para os de outra raça, mobilizando-os para destruir a europa.
são orgulhosos por possuírem um estado que dizem poderoso, mas passam o tempo a procurar fazê-lo cair....
(...)
o francês não sabe bem o que quer, excepto que sabe perfeitamente que não quer aquilo que tem..."
uma nota pessoal final, não despropositada:
depois do 'pêndulo de foucault' o melhor de umberto eco está estampado nesta sua última ficção intitulada 'o cemitério de praga'.
* negritos da minha responsabilidade;
Quinta-feira, 7 de Abril de 2011
jangada de cautchu
o 'nobel' português da literatura, josé saramago, imaginou um dia a 'península ibérica' a separar-se do continente europeu e a vogar, à deriva, por esses mares fora, assumindo uma identidade social, cultural e económica que pouco ou nada tinha a ver com a dos seus congéneres vivendo a norte dos 'pirinéus'.
um livro imperdível, 'a jangada de pedra'.
separadas as devidas distâncias e passando da ficção à realidade registemos, no futebol, o desempenho da 'jangada' ibérica nesta (outra) 'liga europa'.
três vitórias caseiras, de goleada, do 'fc do porto' (5-1), 'sl e benfica' (4-1) e do nosso vizinho 'villareal' (5-1) a que se soma o empate conseguido na 'ucrânia' pelo 'sc de braga' (1-1).
notável e que permite antecipar uma final ibérica, talvez exclusivamente portuguesa, nesta prova.
podemos estar na economia, nós de tanga e os espanhóis de tanga e (ainda) de camisola de manga 'à cava'. é um facto indesmentível.
mas no futebol europeu, meus caros, exibimos de momento o mais luxuriante 'smoking'.
Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010
o fogo de istambul (*)
depois de ricardo quaresma, antes, hugo almeida, simão sabrosa e manuel fernandes no 'besiktas', clube de uma das cidades mais maravilhosas que conheci.
a 'armada' lusa em terittório otomano.
(*) título - 'the janissary tree' no original - de um entretido enredo 'policial' cuja trama decorre na 'istambul' do séc. 19, da autoria de jason goodwin;
Sábado, 23 de Outubro de 2010
route 125
[a economia do algarve sofre novo abalo.
depois do anunciado boicote dos benfiquistas aos jogos com o 'olhanense' e 'portimonense' - no último caso com resultados a serem aferidos já amanhã - vêm agora duas importantes agências de viagem, a 'tui' e a 'thomas cook', comunicar de que decidiram suspender a oferta do destino algarvio nos seus programas para a época baixa que agora se inicia.]
"...and they come into 66 from the tributary side roads, from the wagon tracks and the rutted country roads, 66 is the mother road, the road of flight."
(john steinbeck, em as 'vinhas da ira')
felizmente que o governo, com a sua capacidade de perspectivar o futuro, exercício que recentemente pouco ou nada tem praticado, resolveu activar a rua longitudinal 125 que atravessa toda a região, de 'vila real de santo antónio' praticamente a 'sagres', por virtude da introdução de portagens na 'via do infante'.
já a partir dos primeiros meses do próximo ano será possivel aos autóctones e aos poucos alienígenas que ainda nos visitarem assistir à animação das esplanadas, cafés e restaurantes à beira de uma estrada frequentada nos sítios mais ermos por belezas do leste europeu e da américa do sul.
socorrendo-me de steinbeck, serão aos milhares a chegar, pelas estradas que levam à 125, a rua-mãe, vindas das praias do litoral e dos caminhos, a norte, iniciados nas pequenas povoações do 'barrocal'...
pena o ruído das sirenes do 'inem'e das ambulâncias dos 'bombeiros', da luz irritante para os olhos dos 'pirilampos' dos reboques e dos carros das brigadas da 'gnr', que se acumularão ao longo dos seus cerca de 150 kilómetros removendo chapa retorcida e carne retalhada.
não se pode ter tudo!
para que esta saga não seja esquecida confiamos que apareça rapidamente no panorama literário um novo jack kerouac capaz de transmitir ao mundo toda a emoção que vão sentir aqueles que se arriscarem a passar 'on the road'...125.
eu, pelo meu lado, que já não tenho idade para aventuras, muito menos para que me metam coisas, chamem-se elas 'chips' ou, mais prosaicamente, 'identificadores', vou tentar manter-me afastado da 'animação', o mais possível.
link:'route 66'
Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010
oiçam!
(foto: 'reuters/charles platiau')
"vós que lá do vosso império/ prometeis um mundo novo/ calai-vos, que pode o povo/ qu'rer um mundo novo a sério"
(antónio aleixo, 'este livro que vos deixo')
Sábado, 2 de Outubro de 2010
o meu peito de adriana lima (*)
Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010
o desnecessitado
"Não vejo nenhuns motivos para me recandidatar"
(gilberto madail, hoje)
levando a sério esta declaração, daquele que é o presidente da 'fpf' desde 1996, de que 'não vê nenhum motivo para se recandidatar', a primeira a coisa a fazer é 'tirar-lhe o chapéu' pelo reconhecimento público, assumido, da sua 'desnecessidade'.
finalmente teve a coragem de assumir que nada de nada, um mínimo, algo que o justifique, não existe uma só razão, nenhuma!, afinal, para que o futebol português, à escala do 'sistema' prevalecente, bem entendido, o reconduza no cargo.
é que se nem ele o consegue ver ou, mesmo, vislumbrar...nenhum motivo para tal!!!
já o saramago nos tinha dado a entender que nem todo aquele que não vê nada é...completamente cego e o doutor madail acaba de fazer prova viva disso.
como neste tema, o não ver (nenhum motivo) não é cegueira,...é lucidez!
Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010
cristiano y pepe carvalho
quem viu o
jogo de madrid, esta noite para a 'champions', entre o 'real' e os holandeses do 'ajax,' ter-se-á beliscado inúmeras vezes. tantas quantos os falhanços incríveis de cristiano ronaldo diante do - excelente, diga-se - guarda-redes da equipa adversária.
esperemos que a sua 'sorte' mude rapidamente para bem da equipa de mourinho e de, estou a pensar mais nesta, da selecção nacional.
um aparte.
o eixo central defensivo da equipa espanhola, pepe - carvalho, trouxe-me à memória aquela fantástica figura de detective-putanheiro-'gourmet' (só qualidades!)
criada pelo escritor catalão manuel vásquez montalbán.
personagem que me ensinou: "hay que beber para recordar y comer para olvidar".
amen.
Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010
o 18 brumário de luís bonaparte
"Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Caussidière por Danton, Luís Blanc por Robespierre, a Montanha de 1845-1851 pela Montanha de 1793-1795, o sobrinho pelo tio. E a mesma caricatura ocorre nas circunstâncias que acompanham a segunda edição do Dezoito Brumário! Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada.(...)"
é tempo de aparecer gente nova no futebol português.
jogadores novos e técnicos novos, também.
mas, e sobretudo, dirigentes diferentes!
que se ponha um termo às actuais 'sinecuras'!
o futebol português, ao nível das suas estruturas de topo, precisa urgentemente de pessoas com novas e arejadas ideias, que não estejam sujeitas a 'reverências' antigas e a 'credos' velhos, capazes por isso de reinventar novos caminhos.
repetir erros do passado e caras velhas será, simplesmente, recriar a 'tragédia'.
Terça-feira, 13 de Julho de 2010
apontamentos de um secretário dos namorados
"datavam dessa época as suas teorias demasiado simplistas sobre a relação entre o físico das mulheres e as suas aptidões para o amor. desconfiava do tipo sensual, das que pareciam capazes de comer cru um caimão, e que costumavam ser as mais passivas na cama.
o seu tipo era o oposto: essas râzinhas esquálidas por quem ninguém dava ao trabalho de voltar-se para trás para as ver na rua, que pareciam ficar em nada quando despiam a roupa, que davam pena pelo estalar dos ossos ao primeiro impacto, e que, no entanto, podiam deixar pronto para o caixote do lixo o mais falador dos sujeitos."
(florentino ariza em 'o amor nos tempos de cólera', gabriel garcia márquez, pg. 190, 'dom quixote', 20ª. ed, 2008)
Domingo, 20 de Junho de 2010
questões institucionais
o presidente da república de portugal não interromper as suas férias nos 'açores' a fim de estar presente nas cerimónias fúnebres do único 'nobel' da literatura de portugal é esclarecedor.
com este seu deliberado
gesto deixou de poder reivindicar o estatuto de presidente de todos os portugueses.
não interessa o seu nome nem o de quem morreu.
Quarta-feira, 16 de Junho de 2010
a beleza dos nomes
jean beausejour marcou o golo que deu a
vitória do 'chile' frente aos hondurenhos.
veio-me de imediato à memória o nome do suicida jeremiah de saint-amour, personagem inolvidável de gabriel garcia márquez n' 'o amor nos tempos de cólera'.
Segunda-feira, 5 de Abril de 2010
estratégias
"berttolucci constrói sua teia de aranha com os fios da verdade e da mentira, colocando a problemática do traidor e do herói como central, ao mesmo tempo que nos remete para a questão da identidade, do mito como sistema de legitimação e de significação, bem como das tradições inventadas e dos “lugares de memória” como mecanismos de manipulação.
('recorte' sobre o filme 'a estratégia da aranha' de bernardo bertolucci)
ao ouvir (ontem) rui santos - 'tempo extra/sic-n' - falar sobre o 'sporting', concretamente do 'morto' paulo bento mais do 'nado-morto' carlos carvalhal e, ainda, do 'morto-vivo' andré villas-boas, tudo e todos subordinados à suprema batuta dos interesses do 'tenebroso' empresário jorge mendes, no 'relvado' verde-e-branco servido pelos peões costinha e, mais recentemente, (o jornalista) nuno dias, lembrei-me desse prodígio de imaginação que nos é servido no primeiro conto de paul auster em 'a trilogia de nova iorque', 'a cidade de vidro' (ed. asa, 1999).
o que ouvimos foi um tratado de estratégia(s). só não percebi bem de quem (nem para quê!)...
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Terça-feira, 16 de Março de 2010
dez dias que abalarão o benfica
[* 'dez dias que abalaram o mundo', do norte-americano john reed, um 'must' de leitura obrigatória para muitos na minha juventude.]
'benfica' de jorge jesus tem pela frente, já a partir de quinta-feira, 18, e até sábado, 27, um decanato que irá definir toda uma época. esta.
inicia-se com o 'marselha' para a liga 'europa' e termina com a recepção ao 'sc de braga' para o 'campeonato', passando pela 'final' da 'carlsberg' com o 'fc do porto', no 'algarve', a 21.
a questão que se coloca aos benfiquistas é esta: sabendo que o pleno seria o óptimo, se, contudo, só fosse possível escolher duas competições, das três, quais seriam?...
a 'liga' principal, seguramente.
e, para mim que não sou da cor, a opção complementar seria a de continuar na prova europeia!
mas...
estou plenamente convicto que a grande maioria do povo 'encarnado' não trocaria a possibilidade de uma vitória sobre os 'dragões' por nada deste mundo. nem pela 'europa'!
estou certo ou estou errado?
*nem de propósito!
no canal 'hollywood' o filme 'reds'.
"This movie tells the true story of John Reed, a radical American journalist around the time of World War I. He soon meets Louise Bryant, a respectable married woman, who dumps her husband for Reed and becomes an important feminist and radical in her own right. After involvement with labor and political disputes in the US, they go to Russia in time for the October Revolution in 1917, when the Communists siezed power. Inspired, they return to the US, hoping to lead a similar revolution. A particularly fascinating aspect of the movie is the inclusion of interviews with "witnesses", the real-life surviving participants in the events of the movie."
Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
assim se esvai a vida
[Fala devagar e baixinho, fechando os olhos no final das frases antes de convocar um silêncio breve. Entusiasma-se quando fala do filho de quatro anos e a sua linguagem muda para um registo quase poético - "tem um cabelo cor de mel e aqueles olhos verdes", "é a minha obra-prima". O resto da conversa é livre de metáforas, com os pés bem assentes na terra. Tal como "Assim Se Esvai a Vida", novo livro de Urbano Tavares Rodrigues, escritor de 86 anos que afirmava em 2008 ter publicado o seu derradeiro livro.]
Disse que "A Última Colina" poderia ser o seu romance final.
Já não me atrevo a dizer essas coisas, até porque tenho outro romance quase pronto. Este ano ainda quero publicar o sexto volume das obras completas.
É o seu livro mais autobiográfico. Porquê expor-se assim agora?
Comecei a escrever uma espécie de diário e a escrita soltou-se, nunca pensei que pudesse ir tão longe. A certa altura dei por mim a falar de mim como nunca falei, caiu completamente a máscara social.
Teve algumas reacções de gente que já o leu?
Algumas delas muito boas. O Mário Cláudio escreveu-me uma longa carta a dizer que teme que o livro não seja lido por muita gente, mas é uma obra com muito alcance. Outra amiga minha disse "não é dos teus livros que eu gosto mais". Eu percebo porquê: tem muitas vezes a palavra "fodido".
O protagonista da primeira parte do seu livro é um antifascista e um conquistador. Duas características que lhe são atribuídas.
Um conquistador é um homem de olhar frio que colecciona mulheres, isso eu nunca fui. O Felisberto Roxo, personagem inspirado nas minha vida, anda aos encontrões na vida e as mulheres são acasos. Às vezes é só sexo, raras vezes encontra realmente o amor. Tem, no entanto, um grande coração.
Como encara o envelhecimento?
É doloroso. Tenho um glaucoma na vista que me diminui muito a visão, só posso ler com esta luz [aponta para um candeeiro de mesa]. Agravou-se também a minha doença do coração a um ponto extremo. Felizmente ainda consigo ter vida sexual: a libido diminui mas ainda tenho desejo e prazer. E isso é bom, ajuda a passar melhor os dias.
Disse numa entrevista, há cerca de três anos, que esperava tranquilamente pela morte. Mantém essa paz?
Não, nada disso. Agora inquieta-me o meu filho [António, de quatro anos]. Penso em como lhe vou fazer falta, não sei como vai ser a vida dele sem mim. Claro que a minha mulher tem possibilidades de o sustentar, mas a vida dele sem mim assusta-me. Tive uma filha com a Maria Judite de Carvalho, dei-lhe muito carinho mas não é a mesma coisa. Agora tenho mais tempo para o ver crescer, é uma coisa impressionante: inteligentíssimo, com uma série de talentos e curiosidades. Gosta de desenhar, tem uma grande sensibilidade artística ao mesmo tempo que é óptimo a jogar à bola. Faz puzzles que eu não consigo fazer. Desmonta brinquedos, mas também estraga.
Preocupa-o como o seu filho o vai recordar?
Tenho um texto escrito já há um tempo que se chama "Meu António Querido, quando fizeres dez anos vais ler estas palavras". Ocupa uma folha e explica quem eu fui, como eu gostava que ele me visse e como eu gostava que ele fosse. Para já está tudo bem, excepto que eu sou benfiquista e ele não.
Um dos temas recorrentes deste livro, e de toda a sua obra, é a luta antifascista. Ficou ressentido com algumas pessoas. Tentou fazer ajustes de contas?
Não. Isso não está na minha natureza. Só se tivesse encontrado na rua o comandante da legião portuguesa que me esmurrou e partiu o maxilar, aí dava-lhe um soco. Fiquei-lhe com uma raiva particular. Ia a entrar para o meu carro e fui cercado, depois de um comício. Andei à pancada com eles, eles também levaram murros e pontapés. Mas depois levei, levei, levei até cair.
O seu comunismo manteve-se inquebrável?
Sempre, apesar de ter tido grandes discussões com o Cunhal, por exemplo. Disse-lhe que devíamos denunciar a tortura e as coisas que se faziam na União Soviética mas ele insistiu que não. Dizia "Urbano, nós somos nós, denunciar isso é só dar armas aos EUA, o inimigo da humanidade". Não me convenceu. Ele dizia que eu era comunista apenas de coração, e não de cabeça.
Sei que deixou as suas propriedades no Alentejo aos camponeses. Porquê?
Depois do 25 de Abril, quando começou a reforma agrária, eu e o meu irmão entregámos as terras aos trabalhadores alentejanos. Foi um gesto romântico, separei-me de uma casa da qual tinha um amor profundo.
Foi um gesto carregado de ideologia também.
Se não fosse isso era hoje um homem rico. Mas não quero saber. Fiz aquilo que achava certo e coerente com as minhas convicções.
De onde vêm essas convicções?
O meu pai foi director de jornal e deputado do partido da esquerda republicana - era o que hoje se chamaria um socialista de esquerda. Tinha um cão chamado Carmona e outro chamado Salazar para o poder insultar à vontade. Era muito amigo dos homens da Guerra de Espanha. Para além disso a minha infância no Alentejo importou: foi lá que me apaixonei pela natureza e aquele povo. Os meus primeiros amigos eram todos de lá. A pouco e pouco fui compreendendo a miséria deles, a dor, as expectativas que tinham - ou não tinham. Desde pequeno comecei a desejar uma sociedade igualitária, mas era católico nessa altura e as duas coisas estavam ligadas. Só quando deixei de abandonar o catolicismo, a minha consciência se tornou revolucionária.
grande entrevistado.
urbano tavares rodrigues continua um homem inteiro. pelos vistos, e ainda bem, da cabeça aos pés.
Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
para os meus netos
confesso-me um entusiasmado adepto dos 'bonecos' do ricardo galvão.
sendo as estórias contadas às crianças sempre rodeadas de enorme dose de fantasia estou plenamente convicto que a dita não terá faltado ao pedro vasco na altura de escrever o texto.
na véspera de mais um 'sporting-benfica' que esta 'entrada' funcione como sinal pacificador de emoções.
para todos os lados!
Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
antónio águia antunes
"claro que gosto do 'benfica' mas eu sou uma pessoa com bom carácter"
(antónio lobo antunes, entrevista a judite de sousa, min 22.30)
já o disse em resposta a um comentário mas repito-o aqui.
devorei ontem, autenticamente, o excelente e irrepetível
momento de televisão que foi a 'grande entrevista' de judite de sousa ao escritor antónio lobo antunes.
numa altura de notável autenticidade, concedido por uma pessoa de uma bondade infinda, achei pouco feliz a sua associação exclusiva dos detentores de bom carácter, ele, por exemplo, só aos que são do 'benfica'.
lembrei-me logo do vale e azevedo.mais,totalmente deslocada a chamada do marido da entrevistadora à colação daquele público diálogo.
Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
bom negócio prós dois lados
(montra da 'bertrand' na avenida de roma, lisboa, foto 'ab')
na janela de oportunidade aberta por josé saramago, ao ter
afirmado que 'a 'bíblia é manual de maus costumes e um catálogo do pior da natureza humana', as 'religiões' aproveitam a ocasião para venderem o seu 'peixe'.
podre!...para o 'nobel' e para mais uns quantos milhares de milhões que habitam o planeta terra no século 21.
Terça-feira, 20 de Outubro de 2009
porque o tema está na moda (1)
discurso de deus a eva,
do punho do escritor e humorista brasileiro millôr fernandes:
"... Eva, de repente, descobrindo uma bela cascata, resolveu tomar um banho de rio. A criação inteira veio então espiar aquela coisa linda que ninguém conhecia. E quando Eva saiu do banho, toda molhada, naquele mundo inaugural, naquela manhã primeval, estava realmente tão maravilhosa que os anjos, arcanjos e querubins, ao verem a primeira mulher nua sobre a Terra, não se contiveram, começaram a bater palmas e a gritar, entusiasmados: "O AUTOR! O AUTOR! O AUTOR!".
"P.S. - Este discurso do Todo-Poderoso está sendo divulgado pela primeira vez em todos os tempos, aqui neste livro. Nunca foi publicado antes, nem mesmo pelo seu órgão oficial, A BÍBLIA."
eu te criei porque o mundo estava meio vazio, e o homem, solitário. O Paraíso era perfeito e, portanto, sem futuro. As árvores, ninguém para criticá-las; os jardins, ninguém para modificá-los; as cobras, ninguém para ouvi-las. Foi por isso que eu te fiz. Ele nem percebeu e custará os séculos para percebê-lo. É lento, o homenzinho. Mas, hás de compreender, foi a primeira criatura humana que fiz em toda a minha vida. Tive que usar argila, material precário, embora maleável. Já em ti usei a cartilagem de Adão, matéria mais difícil de trabalhar, mais teimosa, porém mais nobre. Caprichei em tuas cordas vocais, poderás falar mais, e mais suavemente. Teu corpo é mais bem acabado, mais liso, mais redondo, mais móvel, e nele coloquei alguns detalhes que, penso, vão fazer muito sucesso pelos tempos a fora. Olha Adão enquanto dorme; é teu. Ele pensara que és dele. Tu o dominarás sempre. Como escrava, como mãe, como mulher, concubina, vizinha, mulher do vizinho. Os deuses, meus descendentes; os profetas, meus public-relations, os legisladores, meus advogados; proibir-te-ão como luxúria, como adultério, como crime, e até como atentado ao pudor! Mas eles próprios não resistirão e chorarão como santos depois de pecarem contigo; como hereges, depois de, nos teus braços, negarem as próprias crenças; como traidores, depois de modificarem a Lei para servir-te. E tu, só de meneios, viverás.
Nasces sábia, na certeza de todos os teus recursos, enquanto o Homem, rude e primário, terá que se esforçar a vida inteira para adquirir um pouco de bens que depositará humildemente no teu leito. Vai! Quando perguntei a ele se queria uma Mulher, e lhe expliquei que era um prazer acima de todos os outros, ele perguntou se era um banho de rio ainda melhor. Eu ri. O homem e um simplório. Ou um cínico. Ainda não o entendi bem, eu que o fiz, imagina agora os seus semelhantes.
Olha, ele acorda. Vai. Dá-me um beijo e vai. Hmmmm, eu não pensava que fosse tão bom. Hmmmm, ótimo! Vai, vai! Não é a mim que você deve tentar, menina! Vai, ele acorda. Vem vindo para cá. Olha a cara de espanto que faz. Sorri! Ah, eu vou me divertir muito nestes próximos séculos!"
Texto extraído do livro "Esta é a verdadeira história do Paraíso", Livraria Francisco Alves Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. s/nº.
(recebido por e-mail, ex 'jc')
Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
caím..., caím,...
"quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de mugidos e rugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria."...
andam por aí uma série de beatos (e beatas) ofendidos, de vários
credos, a clamar contra o último livro do nosso nobel da literatura, '
caim' de josé saramago.
deve ser bom!
por isso já o comprei e me atirei à sua leitura.
Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
périplos
nada como 'histórias à volta do mediterrâneo' - mais a mais com o calor de ananases que por cá decidiu assentar arraiais - para justificar um 'périplo' por faro, esta noite.
Sábado, 25 de Abril de 2009
o senhor silva
"No «Pátio de Letras» comemora-se o 25 de Abril lembrando a censurável censura.
Venha ver os livros que eram apreendidos nas tipografias, que outrora se compravam clandestinamente, que se vendiam e liam às escondidas.
Duarte Infante foi livreiro em Faro. Era ele alma da saudosa Livraria Silva. Sabe o que era a coragem de se ser livreiro durante o Estado Novo. Traz-nos muitos dos seus livros para que, em cada capa, se possa ver o que era o medo de se ser apanhado a ler, o perigo de se perder o emprego, o risco da cadeia… e para que se possa ver a que absurdos chegava a tentação de controlar os espíritos.
Muitos resistiram para que se tornasse possível, hoje, mostrar como foi… para que não mais volte a ser!"
( no blogue ' do espaço de memória e do pátio de letras')
lá estarei, esta tarde, para (re)ver o acervo de livros que o duarte infante disponibilizou para a exposição, "livros proibidos no estado novo", no excelente
espaço do 'pátio de letras'.
o duarte 'comandou', nas últimas décadas, enquanto esta não se 'converteu' em farmácia, a 'papelaria silva', situada na
baixa de faro.
era lá que desde miúdo me abastecia de livros, em regime de 'levantamento a crédito' diligentemente registado pela 'menina odete' e liquidado irregularmente com a regularidade permitida pela disponibilidade de dinheiro.
é bom recordar neste dia especial, com um carinho muito especial, os bons companheiros duarte e a mulher, domitília, que acabaram por participar em grande parte da minha vida: como amigos, quase diria família, e correlegionários na militância e nas ideias políticas, desde muito antes de 1974.
o duarte infante, sobrinho, por parte da mãe, do fundador da papelaria, nunca se conseguiu libertar dessa quase inevitável confusão com o nome do tio. por isso muita gente, na cidade de faro, não o tratava pelo seu nome mas sempre por - o que bastante o irritava - senhor silva.
termino como comecei.
lá estarei! esta tarde.
Sexta-feira, 3 de Abril de 2009
o pipi é dela ou não?
então em que é que ficamos?...foi ou não uma mulher, sofia saraiva, a autora do blogue 'o meu pipi' - posteriormente vertido em livro - que durante a segunda metade de 2003 agitou a ainda relativamente tranquila blogosfera nacional?o paulo querido 'twita' que não.
Quinta-feira, 12 de Março de 2009
família tão distinta como esta nunca se viu...
"todos quantos aqui estão,
excepto somente nós,
são do vício mais atroz
a mais perversa união:
o que é homem é cabrão;
as mulheres sem disputas,
têm três diversas condutas:
as velhas são feiticeiras,
as outras alcoviteiras,
as raparigas são putas."
(antónio lobo de carvalho, poeta satírico do séc.18, 'antologia de poesia portuguesa erótica e satírica', sel, prefª e notas de natália correia, ed afrodite, 1ª. ed.)
não sei se pinto da costa pagou 5000 euros por mês à gémea ana salgado.
mas se o fez saíu-lhe seguramente mais barato do que aquilo que lhe custou mensalmente a outra gémea, carolina.
para, pelos
vistos, acabar 'comido' pelas duas...
Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
continuam fiéis, os jardineiros
"Pelo menos 84 crianças morreram na Nigéria, nos últimos três meses, por causa da ingestão de um medicamento dentário, divulgou o Ministério da Saúde nigeriano.
As vítimas mortais são crianças com idades entre os dois meses e os sete anos, que ingeriram um medicamento composto, entre outros elementos, por um componente normalmente utilizado no óleo para carros, segundo a mesma fonte.
Desde Novembro último, que foram registados 111 vítimas deste composto na Nigéria, dos quais 84 são crianças.
A Agência Nacional para a Alimentação, responsável pelo controlo dos produtos farmacêuticos na Nigéria, procedeu ao encerramento do fabricante deste medicamento em Novembro passado, depois de terem sido registados vários casos em quatro hospitais do país."
"É um relato cruel de uma realidade assustadora, de empresas farmacêuticas que testam os seus medicamentos em pessoas que não se podem defender e que muitas das vezes morrem, sem saber porque, acabando enterradas num buraco qualquer, junto á sua pátria, o solo africano."
Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
sugestão de leitura para hoje
"Para entendermos a importância deste livro ('Leyendo a Euclides', de Beppo Levi, Buenos Aires, Livros del Zorzal, 2000, ndb), devemos ter em conta que os axiomas de Euclides para a geometria não só foram e são ainda em grande medida o paradigma do modo de operar da razão matemática, mas cristalizaram igualmente uma estética profunda e quase imperativa para essa razão, com múltiplas implicações filisóficas, que chegaram até à época contemporânea. Esta estética é a do equilíbrio delicado entre simplicidade e alcance, entre mínima quantidade de prepssupostos e a máxima quantidade de consequências deriváveis"em, 'borges e a matemática - uma viagem através dos diálogos secretos ente o grande escritor argentino e personagens da dimensão de pascal, russel e poe', de guillermo martinez, colecção 'temas de actualidade', 'ambar'. (*) negritos meus;
Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008
livro e directo

nos tempos que correm nada como conhecer, e ter na ponta da língua, os insultos e pragas mais ordinários, particularmente aplicáveis ao futebol.
a
edição é 'pentalingue'. para além do inglês, todas as expressões se encontram retrovertidas em alemão, francês, italiano e espanhol, o que permite chamar nomes, praticamente toda a gente, à excepção de manuel cajuda.
torna-se particularmente útil para insultar carlos queiroz que, como todos sabem, é fluente na fala como no entendimento perfeito da língua de shakespeare. isto, obviamente, para aqueles que não queiram recorrer ao '
argumentário' escrito em português, hoje assinado pelo punho de joão marcelino.
Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008
estupidiário domenech
foi hoje lançado em frança um
livro que pretende recolher o melhor das inúmeras frases assassinas proferidas pelo seleccionador nacional francês, raymond domenech, ao longo de mais de 40 anos de carreira, de jogador a treinador.

algumas das pérolas numa tradução da minha inteira responsabilidade:
- é lógico perder-se um jogo quando os adversários marcam mais um golo do que nós;- já percebi que nem eu, por vezes, me consigo perceber;- ganhar um jogo de futebol é muito melhor que perdê-lo;- muitas vezes digo, se me encontrasse diante de mim próprio odiaria quem tinha em frente;nem lili caneças com a sua 'boutade', 'estar vivo é o contrário de estar morto', conseguiria 'dizer' melhor!
Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
tantas coisas nos disse...dinis machado

"Um livro-bomba. Uma obra referenciada para gente nova. Contém cenas eventualmente chocantes aos literatos da nossa praça e já está. Não recomendável a ceguetas, que cinema («o cinema é um álbum, o mais fabuloso e embriagador dos álbuns imaginários», afirma o guarda da última fronteira) e banda desenhada (álbum ou folhetim semanal também fabuloso e embriagador, afirmo agora eu) passeiam-se muito pelas suas páginas. O Gaspar Simões não vai gostar (excelente coisa!). A malta vai (excelentíssima coisa!).
Podiam ser frases publicitárias. Quem ler «O QUE DIZ MOLERO», de Dinis Machado (Bertrand), por ruas e montras e olhos ávidos de maravilhados ou espavoridos leitores nos próximos dias, confirmará que não: é que é mesmo assim, como eu digo.
Fiquei banzado. Para já, para já, não julgava poder haver disto em português tão cedo. A livralhada de minha lavra envelheceu vinte anos a partir de hoje. Não faz mal. Faço 52 no sábado, se lá chegar, é tempo de reforma. Vou-me dedicar à pesca (de dólares, de marcos, como o nosso Primeiro), vou deixar a Associação Portuguesa de Escritores (é o deixas!, eu cá sei as linhas com que me coso) e ingressar no Mercado Comum dos Cravas. Felizmente não sou invejoso, cada um, cada geração cumpre a sua rábula e passa o facho. É a Lei.
Trouxe da minha experiência de editor o arrepio que é deparar-se-nos, de um autor desconhecido, de quem nada sabíamos ou lêramos, obra original, íssima, íssima, e autêntica (que agora aqui invejo é a Bertrand). Isto me dá, como leitor ou crítico (e o crítico que será senão um leitor especial, obrigado a botar sua opinião em público?) ou, até, escriba, uma real disponibilidade de captação de entusiasmo sincero e barulhento (começo a ferver, a explodir alegria) perante o novo (cf. o frisson nouveau causado pelo Baudelaire). Meus colegas de escrita, muitos e entre eles os mais celebrados da Hora, os vejo, os percebo, mordendo-se pelas costas, disputando-se editores e clientela, numa ciumeira pegada. Nunca me deu prá-i. Quando embirro com um escritor é porque ele escreve mal e me fez perder tempo, e havia tanta obra-prima que não li e já não vou ler. Chatos duma figa!
«O QUE DIZ MOLERO»: à abertura, comecei a ficar muito arreliado. «Mas que raio é isto?! Uma conversa entre um tal Austin e um Mister DeLuxe e logo a seguir uns burriés colados à parede para secar… mau, mau. Temos estopada.» Mas segui viagem, página a página. E comecei a ficar contagiado, envolvido. Daí em diante, uma cavalgada furiosa de episódios, uma feira, um tropel de gente, uma festa popular de malucos e malucas, tudo chalado, uma alegria enorme quase insensata o sintimento nos momentos doloridos (ex.: a morte e o funeral de César), mas tudo tão perto de nós e tão naturalmente reproduzido na escrita.
Não tenho a mínima pretensão de sequer revelar, no pouco espaço que me é concedido, uma breve ideia do que seja «O QUE DIZ MOLERO». É este excessivo para se reduzir. Deturpava, por certo. Assim, e muito esquematicamente, irei limitar-me ao que me parece ali mais relevante.
A cena de pancadaria entre o Ângelo, «danado para a porrada», e os camones (e já antes com os ciganos) que provocavam girls naquele bairro pobre e a ressaca do festival de mocada que o Ângelo lhes proporcionou é, pelo movimento, pelo achado dos detalhes, pela embalagem descabelada mas a rigor, um morceau de bravoure, que ficará (para mim não restam dúvidas) como das coisas mais bem conseguidas da nossa literatura. É humor, é violência álacre, é cinema escrito, recorda-me, superando-o, uma cena de um romance de Beckett («Murphy»? «Molloy»? Tive os livros, tive de os vender (comer), não consigo localizar a cena. É uma zaragata entre bêbados, jogando a pontapés um saco de cinzas de um amigo morto. O leitor que ajude. Diga para cá onde é) – não estou a exagerar.
Também na parte imaginária do livro há umas páginas (162-166) um pouco forçadas ou esforçadas no tom (mas não será propositado?), pois já li daquilo não sei onde (ou saberei?), o texto que o rapaz entrega, no Tibete, ao dono da loja de ferragens, por sinal dono do único cão azul conhecido na região, é agora em lírico, dos mais belos do volume. Não esqueço, claro, os poemas que nele se entroncam e o trecho (págs. 65-66) aliciante de imagens e de contenção comovente, outro ponto alto do relatório de Molero.
Uma teoria que me ocorreu, e não posso aqui desenvolver, é se Dinis Machado não usou, entre outras, uma finta: dos quatro protagonistas, o rapaz que apenas conhecemos pelo que diz Molero, e já interpretado por este nas suas divagações e comentários; o rapaz, de que nem o nome ficamos a saber e se some, desaparece no ar como o Mandrake, voilá Molero, que é por sua vez explicado, traduzido, por Austin que transmite a Mister DeLuxe, o qual, hierarquicamente superior e filosofante, extrai sempre uma conclusão teórica, uma síntese ideológica, desse contraponto surgiu-me a suspeita de que a osmose dos quatro era mais perfeita daquilo que se nos apresenta. Que eram um em quatro, e os quatro quase heterónimos do Autor, cúpula mal escondida nos bastidores da intriga («tudo o que criamos é apenas o que somos», está lá escarrapachado).
Um breve senão: a meu entender, o A. Fornece em demasia pistas escusadas. As referências a Pessoa, Pessanha, Breton, Beckett, etc., se podem ser muito do agrado de literatos enfadam o leitor medianamente informado. Eu já tinha detectado aquele quarteto, e mais: um que Dinis Machado não cita, parece-me, e muito injustamente: o Almada do «Nome de Guerra» e ainda mais o Almada da «Engomadeira», que – baba-te, Dinis Machado! – é texto que «O QUE DIZ MOLERO» por assim dizer continua, saltando por cima de meio século de literatura parva, imitada, gaga prosa que se retrogradou ao Júlio Diniz e parece filha de «O Feliz Independente»… Também o Cesariny de «Corpo Visível» ou do «Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos» por ali corre.
Outro: as mui discretas, quase sumidas no contexto, alusões à situação política nacional, num momento particularmente crítico (a acção decorre durante a Segunda Guerra Mundial e seu termo). O herói positivo seria apenas o Bigodes Piaçaba, «que era contra o Governo». Tão-pouco se acredite, apesar da discrição, na indiferença ou inocência da obra; pois num comentário de Mister DeLuxe se pode ler esta carapuça, a enfiar sem disfarces nos nossos políticos pluralistas (e outros, mais à direita): «é óbvio que a autoridade dos líderes assenta quase sempre sobre autênticas puerilidades.» Valeu!
Repito e finalizo: um livro-bomba, uma obra d’arromba."
(crítica de luiz pacheco, 'diário de notícias', 05.maio.1977)
dinis machado (1930 - 2008), vivíssimo, 'visto' por outro imortal, luiz pacheco.
Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
versão americana de blindness

"Piquetes sincronizados nas salas de cinema de pelo menos 21 Estados norte-americanos, em especial nas sessões nocturnas, vão ensombrar a estreia nos EUA de 'Ensaio sobre a Cegueira', no próximo dia 3.
A manifestação é organizada pela NFB (Federação Nacional de Cegos), que considera que adaptação ao cinema da obra de José Saramago reforça estereótipos incorrectos.
O filme do realizador brasileiro Fernando Meirelles é classificado de "ofensivo" pelos cegos norte-americanos. Este será o maior protesto nos 68 anos de história da NFB."
nenhum era sueco

"Revelações surpreendentes, daquelas que deixam os ingleses a pensar que estes homens do futebol devem estar loucos. David Davies, director executivo da FA (federação inglesa de futebol), escreveu um livro onde diz que, nos tempos de seleccionador, o treinador Sven-Goran Eriksson pretendia convocar jogadores estrangeiros para vestir a camisola dos homens que inventaram o futebol, algo que ainda é visto como uma loucura por um dos povos europeus mais apegados às tradições.
O título do livro de David Davies é fantástico — FA Confidential — mas não será por isso que venderá milhares de exemplares. O autor conta os segredos da casa do futebol inglês e a grande polémica surge precisamente quando se fala no conturbado reinado do sueco Sven-Goran Eriksson à frente da selecção inglesa. Diz Davies que o seleccionador sugeriu quatro jogadores e para que não restem dúvidas o dirigente revela quem são os homens que o técnico queria ver a defender a bandeira inglesa: Cudicini (guarda-redes do Chelsea), Malbranque (médio francês que actuava no Fulham e está agora no Sunderland), Edu (médio brasileiro então no Arsenal) e Saha (avançado francês que actuava à época no Everton).
Não custará adivinhar que para o tradicional adepto inglês seria coisa inaceitável mas Davies garante que a intenção era real e todos os jogadores estavam nessa altura em condições de jogar por Inglaterra cumprindo as exigências da FIFA, já que nenhum tinha representado a selecção principal dos respectivos países.
Eriksson é hoje seleccionador do México mas continua a ter o poder de chocar os ingleses. O livro de Davies está a ser publicado em fascículos pelo jornal Daily Mail e por este andar promete muito."
(luís filipe simões, hoje em 'a bola')
Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008
if
numa reflexão mais séria parece-me que uma ilação a retirar do embate de ontem, do nosso descontentamento, 'foram' - como dizia o outro de quem não recordo o nome - afinal, duas.
a primeira, indiscutivelmente a qualidade, intensidade, ritmo, disposição ofensiva e entrega ao jogo de TODOS os intervenientes. 'portugal' jogou muito bem e a 'dinamarca' não ficou muito atrás da qualidade lusa, nos penúltimos 76 minutos da partida!...
(é bom recordar que aos 4 minutos poderíamos estar a 'comer' uma...ou duas!)
se este jogo de qualificação para o 'mundial' da áfrica do sul tivesse sido jogado dentro das regras do 'torneio de toulon', em que as partidas duram 80 minutos, hoje todos os 'media' embandeirariam em arco com a excelência do espectáculo que ontem nos tinha sido oferecido.
esta, a primeira, é a parte sumarenta, boa, da partida. a carninha.
agora, para falarmos da parte final, há que conseguir saber roer os ossos, principalmente queiroz, e tirar as devidas conclusões.
se bosingwa falhou no 1º golo dinamarquês (84'), e falhou!, nani tinha falhado o nosso putativo 2º..., primeiro! (55');
se quim falhou no 2º golo (90'), e falhou!, danny tinha falhado, seria o 3º, aos 73';
se a sorte nos falhou, a todos - os que temos sido governados por sócrates, pela crise do 'subprime' mais a subida do preço das matérias-primas - no 3º final e sobranceiro tento da equipa de morten olsen, já a sorte e o jeito tinham faltado a nuno gomes, o 4º?...seria?..., ao minuto 76;
resumindo e para não baralhar mais. tínhamos ganho 5 a 3!, um resultado próximo, mas ao contrário,
daquele que o seleccionador nacional, noutras funções, já tinha experienciado em alvalade, e hoje?...seria dia de forrobodó nacional.
assim há que, como
diria o 'marquês de pombal', perdão, o manuel cajuda, enterrar os 'morten' e tratar da vida aos suecos. já daqui a um mês.
nota:
dirão que este 'post' está cheio de se's!...
está. mas o kipling escreveu uma obra prima com muitos mais condicionais que hoje continua 'imortal';
Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008
(ex) citações
" Fui sacar esta parte do livro de Octávio Machado: “Vocês sabem do que falo” ao blog do Boronha que considero um dos melhores a falar sobre futebol e outra coisa não seria de esperar dada a sua experiência no mundo da bola."
(no 'blog da bola')
é sempre agradável ser
citado num dos maiores êxitos de audiência da blogosfera nacional, o 'blog da bola'.
sobretudo quando o fazem de uma forma simpática, como foi o caso.
Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008
enterrada ou queimada
(foto, '20 minutos')
à medida que vê os seus proventos aumentarem à custa dos 170.000 exemplares já vendidos, em portugal, do 'a verdade da mentira', a que acrescerão os resultados da edição espanhola, a partir de amanhã aqui ao lado, o ex inspector da 'judiciária' gonçalo amaral torna-se mais rico, logo mais capaz de contratar advogados, por isso mais assertivo.
em
entrevista ao espanhol '20 minutos' é categórico: a pequena 'maddie' morreu por negligência dos pais que se desfizeram do corpo enterrando-o ou queimando-o.
mais claro é impossível.
no que me diz respeito
" Portanto, nós não queríamos fazer o jogo (contra o Farense), queríamos adiar a data do encontro. Estivemos em estágio, na dúvida se íamos ou não a Faro, com negociações pelo meio. Em protesto contra a posição do FC Porto, de não querer jogar naquele dia, o presidente do Farense resolveu organizar uma manifestação, uma concentração de adeptos no estádio do Farense. Aquilo que eu soube posteriormente, e isso foi-me confirmado pelo António Boronha, é que o João Rodrigues, na altura presidente da Federação Poruguesa de Futebol, para resolver o impasse, terá pago 15 mil contos ao Farense para não haver jogo. Se o jogo não fosse desmarcado estaria criada mais uma situação de grande conflito no futebol português. O Farense, todavia, acabou por ceder e não houve jogo, recebendo assim uma ind(e)mnização de 15 mil contos paga pela Federação. Por que é que foi a Federação a pagar aquele dinheiro, o que é que a Federação tinha a lucrar com o adiamento do jogo? Essa peguntas não me devem ser feitas a mim mas sim ao João Rodrigues, é algo que não me diz respeito."
('vocês sabem do que estou a falar', pg.s 141,142, octávio machado)
na parte acima citada, que me diz directamente respeito, gostaria de fazer uma precisão que nada retira ao que octávio machado conta sobre o assunto: a verba que me foi paga, a título de indemnização pela falha da receita de bilheteira correspondente ao jogo 'farense - fc porto', foi de doze mil e quinhentos contos e não quinze mil.
já agora também aproveitava para esclarecer o 'palmelão' sobre a dúvida que deixa no ar acerca das razões que levaram joão rodrigues a pagar e não bufar a verba referida. o presidente da 'fpf' pagou porque estava a fazer uma favor ao seu amigo de ontem, de hoje e de sempre, pinto da costa, adiando um jogo que só ao 'fc do porto' não interessava jogar...aliás, como o próprio octávio o reconhece logo no início do excerto (negrito meu).
Sábado, 6 de Setembro de 2008
intermezzo II
esta tarde, na 'bertrand', 'fórum algarve', comprei dois livros.
um, calculo que vocês sabem de qual estou a falar, da autoria de octávio machado, o outro, de manuel loff - 'o nosso século é fascista' - uma
recensão para a qual o 'expresso' ('actual') da passada semana me tinha chamado a atenção.
o que me chateou, não tanto o preço nem o tamanho da 'errata' da primeira 'obra', foi o facto de o diligente funcionário, mais do que questionar (me), pressupor: 'senhor boronha, este, o do loff, é para oferecer, não é...'
Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008
os parágrafos da discórdia
"Uns dias antes da conferência de imprensa de apresentação da sua primeira convocatória...
Scolari procurou colher a opinião de Mourinho sobre alguns jogadores e Mourinho não se recusou a fazê-lo...
Uma semana mais tarde, quando revelou a sua primeira lista, Scolari não tinha Vítor Baía entre os eleitos. Meia hora depois, Mourinho na sua habitual conferência de imprensa no FC do Porto, não obstante deixar bem claro que respeitava as opções de Scolari, foi o primeiro a colocá-lo em causa pela ausência de Baía e a criticar claramente a decisão do seleccionador, chegando mesmo a afirmar, entre outras coisas, que "Vítor Baía é com alguma distância, repito com alguma distância o melhor guarda-redes português". O treinador brasileiro ficou, no mínimo, espantado com o que ouviu.
Ainda hoje se apresentam mil teorias e outras tantas especulações sobre os motivos da ausência de Vítor Baía das convocatórias da Selecção Nacional desde que Scolari tomou conta do cargo de seleccionador. A minha explicação para esta situação é, afinal, bem simples.
Quando o brasileiro chegou, Baía não tinha feito parte das últimas chamadas de Agostinho Oliveira...
Baía não tinha sido convocado porque quando Agostinho Oliveira pretendeu fazê-lo foi "impedido" pelos responsáveis do FC do Porto, precisamente por causa de um incidente disciplinar que o guarda-redes tivera com Mourinho e que o atirou, numa primeira fase, para o banco de suplentes e, depois, para um processo disciplinar e respectiva suspensão da actividade no clube azul e branco. Ora, como vimos atrás, Scolari tinha decidido que na primeira convocatória iria chamar fundamentalmente jogadores utilizados por Agostinho Oliveira.
Assim que Mourinho o criticou por não ter convocado Vítor Baía para o jogo com a Itália, Scolari sentiu que se chamasse o guarda-redes portista num dos jogos seguintes - como tenho a certeza que estava preparado para fazer e cheguei a dizê-lo pessoalmente ao próprio Vítor - estaria a dar um sinal de cedência às pressões exteriores. Por isso foi obrigado a marcar a sua posição de forma mais abrupta do que pensara.
...
Tenho ainda outra teoria sobre a não convocação de Baía e que passa pelas conversas individuais que Scolari manteve com quase todos os jogadores nos seus primeiros meses de trabalho: terão sido alguns desses jogadores a queixar-se do guardião portista.
Scolari olhou também para o passado de Baía na Selecção antes do Mundial 2002, que decorreu na Coreia do Sul e Japão,. E verificou que Baía, por diversos motivos, não fizera um só jogo na fase de qualificação, tendo voltado a ser escolha número um só na fase final.
Nas conversas que teve com os jogadores, Scolari ter-se-á apercebido que o regresso de Vítor Baía seria, provavelmente, um foco de instabilidade para o grupo. Por tudo isto, o futuro do grande guarda-redes do FC do Porto na Selecção Nacional ficou traçado."
('o homem por trás de scolari', pg.s 26 a 28, ed. 'prime books')
ao saber dos
comentários, tardios a meu ver, de vítor baía sobre a sua não convocação por parte de scolari - em tempos que já lá...foram - tendo como base o que vinha escrito num livro de josé carlos freitas, dei-me ao trabalho de transcrever o cerne e o 'sumo' da questão.
desta maneira poderemos - todos - formar uma melhor opinião sobre as 'asneiras' que vítor baía diz jcf, em parte, ter deduzido e os factos que o mesmo claramente enumera.
Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
repito que não foi penálti
"a diferença entre o homem que acredita ser Napoleão e o homem que se compraz em sonhar que é Napoleão é a mesma que entre um infeliz esquizofrénico e um feliz sonhador. Compreendo muito bem a pesssoa 'esquizofrénica' que não consegue viver sem sonhar outro mundo e sem encarnar outra personalidade, mas tenho pena dos esquizofrénicos e desprezo-os (secretamente) porque são prisioneiros de um mundo paralelo e estão privados de um mundo 'original' feliz e sólido aonde possam regressar."
('istambul', pág 32, orhan pamuk, nobel da literatura, ed 'presença') não ousaria pedir a rui cartaxana que voltasse a 'um mundo original feliz e sólido' porque este nosso, o da 'bola', é todo um contrário.
mas sugeria-lhe, amigavelmente, que pelo menos caísse na
realidade.
Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008
perdoai-lhe senhor pois não sabe o que fez
(desenhos a grafite de paulo serra)
soube hoje, num dia do oitavo ano do terceiro milénio dc, que uma exposição integrando uma série de desenhos a grafite sobre papel, da autoria de paulo serra, foi
cancelada porque a mesma envolvia (duas) obras atentatórias da sensibilidade do senhor presidente da câmara e, segundo ele, também
violadoras dos bons costumes dos seus munícipes.
para os mais desatentos, que posssam pensar que os factos ocorreram em qualquer cidade chinesa sujeita às diatribes de um anónimo funcionário superior do partido no poder, devo acrescentar que me refiro à cada vez mais cosmopolita cidade de loulé, no centro do algarve, em portugal.
perante isto só me resta esperar por uma possível queima do
próximo romance de saramago, 'a viagem do elefante', a realizar na 'praça do mar', em quarteira.
(mas o que é que a 'mãe soberana' tem a ver com isto?...)
Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
patronímico amaral
gonçalo
alimentará o noticiário durante a maior parte do dia. depois, a partir do fim da tarde, será a vez de diogo
entrar em cena.
Quarta-feira, 16 de Julho de 2008
postal de lisboa

um bom e alegre convívio, ontem em lisboa com velhos amigos, onde como sempre não falámos mal de ninguém mas onde, também, não foram poupadas as 'fraquezas' de alguns.
um dos tertulianos, o inefável 'zeca' (josé carlos freitas) que me ofereceu, 'devidamente (1)' autografada, a sua última criação: 'luís felipe o homem por trás de scolari'.à volta de uma mesa, nós.em cima dela, para além de uns 'whiskies' moderadamente beberricados, estórias e preocupações enfocadas no futebol português com acento tónico na 'selecção nacional'.como neste espaço só costumo abordar, tentando interpretar à luz da minha experiência, o que é do conhecimento público terei com alguma pena minha de me quedar por aqui.(1) "Para o António Boronha,
Todas as versões são verdadeiras. Esta é a minha.
Um abraço do (JCF)"
Terça-feira, 20 de Maio de 2008
estórias aos códradinhos
24 horas - E livros?GM - Gosto de John Grisham', o autor de 'Dossiê Pelicano'. Tenho quase toda a colecção dele. Também aprecio livros históricos e a Bíblia. Dá-me tranquilidade.24 horas - Adormece a ler?GM - Para dormir tenho outra paixãozinha: livros do Astérix. Tenho toda a colecção e já devo ter lido umas 50 vezes cada livro. Na noite passada foi 'Os Louros de César. Se houvesse um concurso sobre o Astérix eu concorria.24 horas - como se chama o cão?GM - Ideiafix. E o druída é o Panoramix, o chefe da aldeia é o Abracourcix...Conheço-os a todos!(gilberto madail, presidente da 'fpf', em entrevista a sérgio krithinas, '24 horas')
[li esta inolvidável entrevista, dada pelo presidente da 'federação portuguesa de futebol' ao jornal '24 horas', pela 'mão' do eugénio queirós. sem a referência feita no seu 'blogue' nunca lá teria chegado. para além do excerto epigrafado que não é totalmente verdadeiro, pela 'prova' inclusa, gostaria de deixar registado mais outro, elucidativo, naco de conversa]24 horas - Quem são os seus amigos?GM - Tenho um que é muito conhecido, que é o João Rodrigues. Há outra pessoa que é muito minha amiga, por quem tenho muita consideração e que ajudou muito a Federação, que é o senhor Joaquim Oliveira. É um grande senhor. De resto, não jogo golfe, só ténis e um bocadinho de matraquilhos...
Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
o livro dourado
joaquim vieira terá, certamente, as suas razões para o nome que escolheu para a volumosa edição, 'crónica de ouro do futebol português', da qual é responsável, obra que pretende retratar o futebol português das origens aos dias de hoje. na minha modesta opinião, o título é pomposo e rebuscado, em suma: piroso.o conteúdo, pelo contrário, atendendo às autorias, poderá vir a revelar-se: dourado!
ficamos à espera da 'consagração' (e dos outros quatro volumes também).
Quarta-feira, 7 de Maio de 2008
à atenção da bandidagem
quem, como eu, aprendeu (também) a ler nas traduções dos 'série noire', de hammett e chandler, sempre achou bizarra (para não dizer incompetente) a figura do ex director da 'pêjota', alípio ribeiro.porque falava de uma maneira monocórdica, baixa e demasiado pausada. polícia, que é polícia à séria, diz curto e grosso.
por isso...ainda bem que o mandaram embora!
Quarta-feira, 23 de Abril de 2008
livros hoje e todos os dias
"Não pensem que procuro convencer-vos seja do que for; bem vistas as coisas, as opiniões do leitor são da sua conta. Se me decidi a escrever depois de todos estes anos, é para esclarecer as coisas para mim mesmo e não para os que me lêem. Durante muito tempo cada um de nós rasteja nesta terra como uma lagarta, na expectativa esplêndida e diáfana que traz em si. E depois o tempo passa, a ninfose não chega, ficamos larva, constatação aflitiva, que havemos de fazer com ela? O suicídio, bem entendido, continua a ser uma opção."
retirei esta passagem do melhor (e maior!) livro, que li este ano: 'as benevolentes' de jonathan littel. uma apaixonante provocação.
Segunda-feira, 14 de Abril de 2008
priceless!!!

" É possível que estejais paralisada por falta de ideias. Lembrai-vos de que o humor dos Python se fez, muitas vezes, à custa da vossa própria Família Real, e de instituições caras a Inglaterra. Esta poderá ser a vossa oportunidade para ajustar contas, ou, se isso não for do vosso agrado (eu próprio tendo a ignorar pura e simplesmente as críticas e, talvez, seja essa a vossa maneira de lidar com o assunto), podereis considerar que esta é a oportunidade de comentar o lugar que os Python têm nos corações da Família Real. Está inteiramente nas vossas mãos."
(excerto da carta, convidando a rainha de inglaterra a participar no livro, assinada por gary hardcastle, co-editor de 'Monty Phyton and Philosophy')
"apesar de ter sido muito gentil da sua parte em convidar a Rainha para participar no seu projecto, receio que a oferta tenha de ser declinada"
(resposta da rainha, assinada pela sua chefe de gabinete, gill middleburgh)
simplesmente imperdível!'a filosofia segundo monty phyton', em português, da responsabilidade da editora 'estrela polar'.
Sábado, 12 de Abril de 2008
arcanjo gabriel
"Apareceu Gabriel da parte de Deus e me falou: dentro de setenta semanas de anos (ou seja 490 anos) aparecerá o Santo dos Santos"
(daniel 9:24-26)
joão gabriel será o novo responsável pela 'comunicação' do - e no - futebol benfiquista.a 'tarimba' que ganhou na sensível assessoria de imprensa do ex presidente sampaio, durante os seus dois mandatos, concedem-lhe a forte probabilidade de vir a ser o homem certo, no lugar e horas certos.diria que se trata de uma escolha inteligente - desta vez de um benfiquista de gema - que trará vantagens para o clube da luz. pelo menos até ao momento em que o joão queira, ou seja forçado a, partir e resolva...escrever um livro.
Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
dupla homenagem nas margens do rio lys
"Preparámo-nos para a retirada, nessa noite de 8 para 9 de Abril. Entretanto os boches começaram a abrir fogo, mas um fogo lento e intermitente, assim como à maneira antiga. Ficámos pouco preocupados, aquela já não era a nossa guerra. De mochila às costas e vela na mão, lá começámos a recuar. Com um alívio que não sentíamos, havia muito tempo.
Às quatro e quinze da madrugada...Sim, deviam ser quatro e quinze da madrugada...Ou talvez um pouco menos...Não sei ao certoIsso também não é importante, penso eu...
Ou talvez seja...Se tivéssemos saído uns minutos antes, talvez tivéssemos conseguido...
Não sei, não sei nada disso, só sei que o céu estourou...
Foi pavoroso...O inferno abateu-se sobre nós, de um momento para o outro. Um inferno de fumo e de fogo, de explosões ensurdecedoras, de gás asfixiante...Aos clarões dos obuses juntavam-se os very-lights, desta vez aos milhares...Ou até aos milhões.
A noite fez-se dia na Flandres, antes do amanhecer..."
(in a 'cruz de portugal', josé sequeira gonçalves, ed. 'saída de emergência')
(foto do 'público')os anos da primeira república, com particular ênfase na participação do 'cep' (corpo expedicionário português) durante a primeira guerra mundial (1914-18), romanceados por um algarvio que foi professor (de história) dos meus dois filhos.
um duplo tributo a
propósito dos 90 anos, que hoje passam, sobre a batalha de 'la lys'.
Domingo, 16 de Março de 2008
ensaio sobre a cegueira
josé saramago quando repescou do 'seu' livro dos conselhos a sentença: 'se puderes olhar, vê. se podes ver, repara' não estava a pensar no chalana. mas eu, agora, estou.
Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
o manel palavroso
manuel oliveira, em faro mais conhecido por 'manel palavroso' (também das 'bombas' como é referido) proporciona, numa entrevista dada ao carlos rias de 'a bola', excelentes bocados da história do futebol português da última metade do passado século.'conheci-o' no início dos anos setenta por interposta pessoa. o meu irmão que fazia parte, nessa altura, de uma direcção do farense contava-me aqueles detalhes de balneário que faziam as delícias de qualquer 'doente'.recordo um.
tendo o manel, já nessa altura, enorme fama pelos seus conhecimentos sobre tácticas e bitácticas, quando as barbas começavam a arder e a equipa do farense se aproximava do final do jogo sem marcar o tal golo que daria a vitória ou pelo menos o empate, a 'táctica' era mais corriqueira: tentar ganhar faltas à entrada da área adversária para ver se o farias (sem acento agudo no i) acertava na baliza e...resolvia.mais tarde privámos muitas vezes e, recordo-me, a conversa descambava, quase sempre do seu lado, para um 'ataque' descabelado aos treinadores formados nos bancos das escolas em vez da forja do duro confronto com as realidades do balneário e do rectângulo de jogo, única fábrica, segundo ele, do verdadeiro treinador de futebol.o manel oliveira sempre foi um homem de absolutos.ainda hoje, na conversa que mantém com o jornalista, diz que o farense começou a morrer quando de lá sairam, da condução dos seus destinos, as pessoas de faro.como algumas vezes lhe disse que 'entre o carlos queirós e o paco fortes' há mais gente do meio, no meio, hoje deixo-lhe aqui, com um grande abraço, que a 'queda' do farense tem explicações bem mais complexas.requerimento,que esse monte de folhas a4, sempre debaixo do braço para refrescar a memória, se convertam em livro. rapidamente.de certeza seria um 'título' muito mais interessante e pedagógico do que as 'mixordices' que ultimamente por aí têm medrado.